domingo, 13 de março de 2016

Ondas gravitacionais, o anúncio

Na última quarta-feira, 11 de fevereiro, foi anunciada a detecção de ondas gravitacionas pelo projeto LIGO. Ondas gravitacionais são análogas a ondas eletromagnéticas. Quando aceleramos uma carga elétrica, ela emite uma radiação na forma de luz. Na gravitação, alguém poderia perguntar se massas aceleradas emitem alguma espécie de radiação. Einstein previu que a gravidade fraca satisfaz equações de onda, tais como as equações das radiações eletro-magnéticas. O efeito desta radiação é a oscilação da distância entre os pontos do espaço. A dificuldade em observar estas ondas é a sua baixíssima intensidade, o que dificulta muito a sua detecção. Como são tênues, é preciso  eliminar outros fenômenos que influam na medida. É como a luz de uma cidade que atrapalha a observação de estrelas muito distantes ou pouco brilhantes. Para ondas gravitacionais, é preciso eliminar quaisquer oscilações do solo, daí a escolha de um deserto remoto para construir o laboratório. Além disso os detectores estão dotados de um sofisticado mecanismo para eliminar vibrações ctônicas.

A idéia do experimento é simples: mede-se uma distância de 4km com a ajuda de raio laser. A variação nesta distância foi atribuída a uma uma onda gravitacional gerada pelo choque de dois buracos negros, ocorrida num tempo e posição distantes. A sensibilidade do aparelho que mede a distância é extrema. A diferença na distância medida é da ordem de um décimo do raio de um próton, ou seja 0,09 fm. Lembrando que o femtômetro vale 10^(-12)m, ou um trilhonésimo do metro, a alteração detectada é equivalente a medir a distância da terra ao sol (150 milhões de quilômetros) com a precisão de um décimo do raio de um fio de cabelo ( cerca de 5 centésimos de milímetro). A detecção em si não resolve nenhuma questão fundamental, mas é um grande avanço da instrumentação experimental. Espera-se que ondas gravitacionais de diferentes amplitudes e comprimentos de onda possam ser observadas no futuro. Algumas ondas específicas poderiam resolver problemas cosmológicos, e dar informações sobre a formação do universo. Não deixa de ser incrível que nenhum efeito quântico seja observado numa distância tão pequena, e que o fenômeno permaneça interpretado classicamente.

Um outro detalhe do anúncio foi o seu uso político. Alternando discursos ao vivo, depoimentos gravados e vídeos da simulação do choque de buracos negros, víamos no atrás da tribuna a bandeira americana. A divulgação de um resultado científico se transformou num evento de afirmação nacional no período pré-eleitoral americano. Talvez a oscilação gravitacional tenha efeitos inusitados. A natureza é sempre surpreendente.

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