Durou cinco meses a gestão do professor Renato Janine Ribeiro no Ministério da Educação. Professores universitários frequentemente fracassam quando indicados para cargos políticos. Não vou discutir a sobrevivência política de FHC, Fernando Haddad, Paulo Renato Souza, Cristovam Buarque e mais alguns, vou focar nos fracassados.
Qual seria o motivo dos repetidos malogros? Em meu ver, há uma clara incompatibilidade entre as funções acadêmica e política. Intelectuais não servem para elogios e bajulações. Intelectuais existem para criticar, apontar qualidades e defeitos através de análises fundamentadas. Entretanto, a vaidade típica dos políticos não aceita tal postura. Políticas equivocadas não podem ser responsabilidade nem do apaniguado anterior nem da cartilha do partido. Críticas nunca são bem-vindas por políticos, que sempre as atribuem a tentativas de desgastar a imagem da qual dependem para sobreviver. Além disso, o administrador público é refém das indicações para posições hierarquicamente inferiores, que estão prometidas aos bajuladores bem-apadrinhados. Ou seja, a chance de implementar qualquer projeto é ínfima.
A idéia de professores como sonhadores incapazes de lidar com situações práticas é o principal subproduto desta experiência. O mandatário político tem um ganho neste jogo, e cria para si a imagem de dar ouvidos a pessoas de bom nível intelectual, de fazer uma gestão "técnica". Ele também aufere alguma popularidade ao demitir quem não consegue resultados. O sucessor do cargo também ganha, pois constrói uma imagem de maior capacidade em relação ao nefelibata que o precedeu. Já o tal professor vê sua imagem jogada aos leões. Acreditou tolamente que o governante se interessava por suas idéias brilhantes, e não pelo verniz de ter um intelectual em seu governo por alguns instantes.
Até que ponto estas pessoas estão cientes destes problemas ao aceitar tais convites é uma matéria difícil de avaliar. Talvez achem que terão sucesso por conta de suas qualidades individuais. Independente desta auto-ilusão, o resultado concreto destas aventuras de arrivismo e vaidade é uma sociedade refratária a aproveitar o conhecimento universitário. Esta resistência social justifica a ingerência nas universidades, afinal afirma a superioridade dos políticos sobre os intelectuais. Como consequência secundária, ocorre uma crescente politização do ambiente acadêmico que fomenta o aparecimento de seguidores do exemplo do professor Janine, com declinante interesse por conhecimento, e crescente fascínio pelo poder.
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